
Termina nesta sexta-feira (1º) o prazo previsto pela lei americana que obriga o presidente dos Estados Unidos a interromper a guerra no Oriente Médio ou pedir autorização ao Congresso para continuar o conflito. Mas o governo Trump deixou claro que ignorará essa obrigação e avalia a possibilidade de realizar novos ataques contra o Irã para forçar Teerã a negociar um acordo. O regime iraniano, que teve de ativar na noite de quinta-feira (30) o sistema de defesa antiaérea do país, promete uma reação “dolorosa e prolongada”.
Segundo a Constituição americana, apenas o Congresso tem o poder de declarar uma guerra. No entanto, uma lei aprovada em 1973 permite que o presidente inicie uma intervenção militar limitada para responder a uma situação de emergência, desde que, caso envolva tropas americanas por mais de 60 dias, obtenha autorização do Poder Legislativo.
Esta sexta-feira representaria, portanto, o prazo final para essa autorização de continuar o conflito iniciado em 28 de fevereiro. Mas o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, argumentou na quinta-feira que, em razão do cessar-fogo, “o relógio dos 60 dias está suspenso”.
“As hostilidades iniciadas no sábado, 28 de fevereiro, terminaram”, acrescentou à AFP um alto funcionário do governo americano. “Não houve troca de disparos entre as forças armadas dos Estados Unidos e o Irã desde a terça-feira, 7 de abril”, quando entrou em vigor o cessar-fogo.
“Derrota vergonhosa”
O líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, afirmou na quinta-feira que os Estados Unidos sofreram uma “derrota vergonhosa” diante do Irã. Já o presidente iraniano, Massoud Pezeshkian, denunciou o bloqueio americano como uma “extensão das operações militares”.
Em Teerã, sistemas de defesa antiaérea foram ativados na noite de quinta-feira contra drones e aeronaves cuja procedência não foi divulgada. “O barulho da defesa antiaérea cessou após cerca de 20 minutos de atividade e de resposta contra pequenas aeronaves”, informaram as agências Tasnim e Fars, acrescentando que Teerã se encontrava novamente em uma “situação normal”.
A guerra deixou milhares de mortos, principalmente no Irã e no Líbano. Apesar da trégua e de primeiras conversas ocorridas em 11 de abril, em Islamabad, as negociações de paz parecem estar num impasse.
Duplo bloqueio do Estreito de Ormuz
Enquanto as discussões patinam, os efeitos do bloqueio de Ormuz se fazem sentir cada vez mais na economia mundial, entre escassez gradual de vários produtos, pressões inflacionárias e revisões para baixo do crescimento.
Washington impôs um bloqueio aos portos iranianos em retaliação ao bloqueio, por Teerã, do estreito. Antes do conflito, um quinto dos hidrocarbonetos consumidos no mundo transitava pela passagem estratégica. O duplo bloqueio fez os preços do petróleo dispararem.
Um alto funcionário americano mencionou uma possível prorrogação dessa medida “por meses”.
Diante da perspectiva de um prolongamento do conflito, o barril de Brent, referência mundial do petróleo bruto, ultrapassou brevemente, na quinta-feira, os US$ 126, atingindo o maior nível desde o início de 2022, durante a invasão da Ucrânia pela Rússia.










